Usar maconha por anos não faz tão mal para a saúde física, diz estudo


Notícia retirada do site da folha de São Paulo.

Realizado por Gabriel Alves.

No esforço de entender os efeitos da maconha sobre a saúde, uma das principais lacunas é a avaliação de seu uso prolongado. Para tentar sanar isso, uma pesquisa da Nova Zelândia com 947 pessoas viu que a erva não faz tão mal para a saúde física das pessoas quanto se imaginava.

Não quer dizer que a maconha seja inócua. Malefícios como o prejuízo no desenvolvimento do cérebro, especialmente entre os jovens, e a piora de doenças mentais continuam ligados à droga.

No entanto, no que diz respeito a aspectos da saúde física, o efeito do uso da erva pode ser até ligeiramente benéfico, segundo o estudo –ainda que, na prática, esse efeito seja irrelevante. Foi o caso das medidas de circunferência abdominal, do IMC (índice de massa corporal) e dos níveis de colesterol “bom”, por exemplo.

Os cientistas esperavam mais prejuízos causados pela maconha, mas só outros dois apareceram: o da função respiratória e da autoavaliação de saúde. Esta última alteração desaparece quando “descontado” o uso do cigarro pelos voluntários usuários

Já a explicação da avaliação pulmonar é um pouco mais complexa: o índice que mede o tanto que a pessoa consegue expirar no total não se saiu bem no estudo, mas o volume expirado forçado em um segundo (FEV1), parâmetro que estaria mais próximo de uma avaliação fisiológica real, segundo os autores, está inalterado nos usuários de maconha.
‘BASEADO-ANO’

Os cientistas reconhecem no artigo que a quantidade consumida de tabaco foi muito maior que a de maconha –o que pode ter ajudado a erva na comparação.
A conta que os autores fizeram para analisar o uso de cigarro foi dividir o número diário de cigarros consumidos por 20 (que representa um maço), e multiplicar pelos anos em que essa taxa de fumo foi mantida. Um maço-ano é a unidade que representa o consumo diário de 20 cigarros ao longo de um ano.
De forma análoga, a unidade “baseado-ano” foi criada –ela representa o uso diário de cannabis pelo mesmo período. Na comparação entre os voluntários, dos 26 aos 38 anos a média de maços-ano ficou em 3,3, e a de baseados-ano ficou em 1,2.
Outro fator que pode ter dado um empurrãozinho para a boa performance da maconha é a quantidade do princípio ativo THC (tetrahidrocanabinol) presente na planta. Sabe-se que a maconha usada hoje em dia tem o “ingrediente” mais presente. Ele é responsável por parte dos efeitos alucinógeno da erva.
Os pesquisadores que estudam esse grupo neozelandês, que é acompanhado desde os anos 70, já haviam publicado um estudo destacando os efeitos negativos da droga, principalmente na saúde mental de adolescentes (refletido em uma perda nos testes de QI).
No novo estudo, publicado pela revista “Jama Psychiatry”, os autores afirmam que dificilmente a maconha seria capaz de melhorar a saúde metabólica da população, apesar dos (fracos) indícios nessa direção.
“Os resultados inesperados sublinham a importância de se fazer pesquisa rigorosa para testar hipóteses em vez de construir políticas públicas baseadas em mitos e dogmas que há muito pairam sobre esse assunto”, escreveram Kevin Hill, e Roger Weiss, da Faculdade de Medicina de Harvard e do Hospital McLean, em Belmont, Massachusetts, nos EUA, em comentário ao estudo.
Eles recomendam cautela também no uso médico. Apesar de indicações para alguns caso de dor crônica e de espasmos de origem neurológica, entre outras, “muitos pacientes usam cannabis medicinal para problemas para os quais há pouca ou nenhuma evidência científica”.

Ainda segundo eles, o uso recreativo da droga deve continuar sendo desencorajado pelos profissionais da área da saúde. “É importante frisar que, por melhor que tenha sido conduzido, este é apenas um estudo, com uma população homogênea, feito em um único país e terminando aos 38 anos de idade. É possível que alguns problemas surjam depois disso

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